Confessions - Confissões
Gilbert Durand : Préface
Martine Azoulai : Le sacrement de la pénitence. Les Indiens de l’Amérique
hispanique
José Mattoso : Pecados secretos
Alexis Félix Arvers : Sonnet
Gaëtane Lamarche-Vadel : Confessions politiques au xxe siècle : jeux de
pouvoir et de langage
Anita Novinsky : Confessa ou morre. O conceito de confissão na Inquisição
Portuguesa : Simone Weil : La misère humaine...
Carlos F. Clamote Carreto : Dizer o amor na ficção medieval. Fragmentos de
uma palavra (im)possível
Alberto Torès : Esencia del secreto
Patrick Avrane : Diaboliques confessions
Jacqueline Baldran : Jean-Jacques Rousseau, Louise d’Épinay : Confessions
et Contre-Confessions
Inês Cavalcanti : Visão noturna
Evelyne Sinigaglia : L’Amer paradis des amours enfantines : Le Secret, de
l’Anonyme triestin
Machado de Assis : Que segrêdo há que se não descubra ?
Marie-Anne Vannier : La triple confession d’Augustin
Sébastien Tank-Storper : Dire la conversion. Carnet d’enquête
Saint Jean Népomucène, martyr de la confession
Anthologie du secret
Alfred de Musset : Sonnet
La Rochefoucauld : Réflexions diverses
Yvan Goll : Le Canal
Rafael Alberti : Los Ángeles colegiales, traduit par Bernard Sesé
Ribeiro Couto : O cavaleiro nocturno, traduit par Monique Le Moing
Clarice Lispector : O quarto secreto, teu quarto
Lectures
J.J. Rousseau - CD Rom
(Christine Jacquet-Pfau)
Alfred de Vigny : Cinq-Mars (Monique Le Moing)
Peter Linehan : Les dames de Zamora (Charles Baladier)
Harald Weinrich : Léthé. Art et critique de l’oubli (Christine
Jacquet-Pfau)
Charles Baladier : Érôs au Moyen Âge. Amour, désir et « delectatio
morosa » (Bernard Sesé)
Danielle Charest : L’échafaudage (Laurence Motoret)
I Confess (La loi du silence), film d’Alfred Hitchcock (Laurence
Motoret)
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Résumés-Resumos-Abstracts
Martine Azoulai
Le sacrement de la pénitence.
Les Indiens de l’Amérique hispanique
| La confession des Indiens d’Amérique a débuté deux ans à peine après l’arrivée des premiers Franciscains en Mésoamérique. Quand, les premiers émois de la conquête passés, l’évangélisation du Nouveau Monde s’est réellement mise en place, on a vu apparaître une littérature religieuse pragmatique destinée à aider les missionnaires dans leur tâche. Des manuels de confession rédigés en espagnol et en langue indienne qui recensaient les questions à poser aux Indiens et codifiaient la cérémonie pénitentielle ont ainsi vu le jour. Ce sont les péchés sexuels, et notamment la sodomie, qui ont été imputés aux Indiens avec le plus d’insistance. | A confissão dos Índios da América começou apenas dois anos depois da chegada dos primeiros Franciscanos na Mesoamérica. Uma vez passadas as primeiras emoções da conquista, quando foi estabelecida verdadeiramente a evangelização do Novo Mundo, apareceu uma literatura religiosa pragmática destinada a ajudar os missionários na sua tarefa. Assim viram à luz alguns manuais de confissão redigidos em espanhol e em língua indiana, arolando as perguntas a fazer aos Índios e codificando a cerimónia penitencial. Foram os pecados sexuais, a sodomia em particular, que foram atribuídos aos Índios com mais insistência. | The confession of American-Indians begun hardly two years after the arrival of the first Franciscans in Mesoamerica. Once the initial emotions of the conquest were over, the evangelization of the New World was launched and a religious and pragmatic literature was produced in order to help the missionaries in their task. Handbooks of confession written in Spanish and in Indian languages would enlist questions to be asked to Indians and would codify the penitential ceremony. Sexual sins, and among them sodomy, were charged against them with much insistence. |
José Mattoso
Pecados secretos
| Le miracle 17 des Cantigas de santa Maria d’Alphonse X suggère que le crime nefando implique un secret qui ne doit pas devenir public dans la mesure où la perturbation qui en résulterait serait plus préjudiciable que sa punition exemplaire. Ce principe, qui était admissible sous le régime pénitentiel antérieur à la généralisation de la confession auriculaire, dans la première moitié du xiiie siècle, fut modifié avec l’émergence d’une nouvelle pratique de l’Église vis à vis des fautes secrètes. Les difficultés de l’Église pour imposer ce nouveau régime sont particulièrement bien mises en lumière par les exempla et les miracles dans lesquels apparaît le démon qui « possède » quelqu’un et dont le caractère particulièrement perturbateur se manifeste à travers sa capacité à dénoncer les péchés secrets des membres d’une communauté, provoquant ainsi une grave perturbation publique. Pour les prédicateurs qui défendent les mérites de la confession auriculaire, le meilleur antidote de l’apparition publique des péchés secrets de quelqu’un réside précisément dans sa révélation à l’oreille du confesseur. | O milagre 17 das Cantigas de Santa Maria de Afonso X sugere que o crime « nefando » implica um segredo que não deve vir a público sob pena de a perturbação daí resultante ser mais prejudicial que a sua punição exemplar. Este princípio admissível num regime penitencial anterior à generalização da confissão auricular, na primeira metade do século xiii, foi alterado com uma nova prática da Igreja a respeito das faltas secretas. A dificuldade que a Igreja teve em impor este novo regime é particularmente iluminada pelos exempla e milagres em que aparece o demónio que « possui » alguém e cujo carácter especialmente perturbador se manifesta por meio da sua capacidade para denunciar os pecados secretos dos membros de uma comunidade, provocando, assim, uma grave perturbação pública. Para os pregadores que defendem os méritos da confissão auricular, o melhor antídoto contra a vinda a público dos pecados secretos de alguém é justamente a sua revelação ao ouvido do confessor. | The miracle 17 in the Cantigas de Santa Maria by Alfonso X suggests that the « abominable » crime contains a secret that should not become overt or the resulting perturbation would be even more prejudiciable than its exemplary punishment. This principle, which could be admitted under a penitentiary law prior to the extension of the auricular confession in the first half of the xiiith century, has been modified by a new Church practice regarding secret sins. The difficulty that the Church encountered in order to impose this new rule is well illustrated by the exempla and the miracles where the devil who « possesses » some one is able to denounce the secret sins of the members of a community, thus provoking a deep public perturbation. For the predicants who defend the merits of the auricular confession, the best antidote against the public revelation of secret sins is its being avowed to the confessor’s ear. |
Gaëtane Lamarche-Vadel
Confessions politiques au xxe
siècle : jeux de pouvoir et de langage
| Il s’agit d’une mise en cause du dispositif de la confession à partir de deux exemples : les confessions de certains repentis des Brigades Rouges ; les confessions demandées aux Afrikaners devant la Commission « Vérité et réconciliation », instaurée par Mandela. | Neste artigo, trata-se de interrogar o dispositivo da confissão a partir de dois exemplos: a confissão de alguns elementos arrependidos pertencentes à Brigadas Vermelhas e as confissões exigidas aos AfriKaners perante a Comissão « Verdade e reconciliação » instaurada por Mandela. | This paper calls into question the procedures favoring confessions, by exposing two exemples : the avowals by repentants of the Red Brigades ; the confessions requested from the Afrikaners by the « Truth and Reconciliation » Committee founded by Mandela. |
Anita Novinsky
Confessa ou morre. O conceito
de confissão na Inquisição Portuguesa
| La « confession » était le principe de base des interrogatoires du Tribunal du Saint Office de l’Inquisition au Portugal. Si la confession était « complète », c’est-à-dire qu’elle consistait à dénoncer famille, amis, voisins, le coupable échappait à la mort. Ceux qui refusaient de confesser étaient condamnés à mort. Le crime le plus fréquent jugé par l’Inquisition était celui de « judaïsme » des nouveaux chrétiens. Des témoignages nous sont livrés principalement par trois auteurs, dont le père António Vieira qui dénonça la fausseté de la Confession. Celle-ci fut utilisée par le Tribunal de l’Inquisition comme une arme politique et remplit une fonction idéologico-politique. | A Confissão foi o principio básico que orientou todos os interrogatórios do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição em Portugal. Quando os Inquisidores achavam a Confissão incompleta (diminuto), o réu era enviado para a Câmara de Tortura, onde assinava uma declaração de que « se morresse ou quebrasse algum membro ou perdesse os sentidos, a culpa era unicamente sua, pois poderia evitá-lo se sua confissão fosse completa ». « Confissão Completa » significava delatar pai, mãe, avós, parentes, amigos, vizinhos. Os que se recusassem a confessar recebiam pena de morte. Morriam os que não confessavam e morriam os inocentes. O mais freqüente crime julgado pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição em Portugal foi o « judaísmo » dos cristãos-novos. Três autores principais nos dão o sentido da Confissão nos Tribunal da Inquisição: o famoso humanista Antônio Nunes Ribeiro Sanches, o notário da Inquisição, Pedro Lupina Freire e o padre António Vieira, que desmascarou a falsidade da Confissão. A Confissão foi utilisada pelo Tribunal da Inquisição como uma arma política e preencheu uma função politico-ideológica. | Confession used to be the basic principle of the interrogatories made by the Tribunal of the Holy Office of Inquisition in Portugal. If confession was complete, altogether denouncing family members, friends and neighbors, the culprit would remain alive. Those who refused to confess were sentenced to death. The crime most frequently judged by the Inquisition was « judaïsm » of newly converted people to Christianism. Testimonies were mainly produced by three authors, among them Father António Vieira who denounced the falsity of confession and its use as a political weapon with an ideological purpose. |
Carlos F. Clamote Carreto
Dizer o amor na ficção
medieval.
Fragmentos de uma palavra (im)possível
| En plein XII siècle, alors que la lyrique, de nombreux lais aux sonorité bretonnes, certains traités sur la courtoisie et bien d’autres textes encore continuent à faire du secret le nombre de l’harmonie universelle et la condition essentielle de l’expérience amoureuse, le récit courtois (chez Marie de France ou chez Chrétien de Troyes, par exemple) laisse transparaître une réalité beaucoup plus nuancée : le secret est sans doute important, mais ce que la fiction souligne de plus en plus, c’est que, lorsqu’il surgit à contre-temps ou se prolonge dans un silence obstiné, il devient fatal, mortel, se plaçant sous le signe du désordre intérieur et de la rupture. Il cesse donc d’être la Loi inexorable de l’amour, faisant place à l’instance de la parole, parole qui, dans un mouvement idéologique et culturel qui s’accentuera au XIII siècle, finira par envahir tous les domaines du savoir (du pouvoir) afin de pénétrer un secret de plus en plus insoutenable et dérangeant. Mais quand l’amour se fait confession et instant de transparence à autrui, il ne peut se soustraire à l’indicible du désir. Aussi, toute déclaration (intérieure ou dialoguée) de l’amour finit-elle par conduire le langage à explorer ses propres limites au cœur d’une tension singulière d’où émergent, dans toute leur splendeur, les (en)jeux de la parole poétique. | Em pleno século xii, numa altura em que a lírica, vários lais bretãos, alguns tratados sobre a cortesia e muitos outros textos ainda, continuam a fazer do segredo o número da harmonia universal e a condição fundamental para a vivência do amor, a narrativa cortês (com Chrétien de Troyes ou Marie de France, por exemplo) sugere no entanto uma realidade diversa, passando a insistir sobre a natureza potencialmente ameaçadora e mortífera do segredo enquanto desordem interior, fechamento, ruptura. Deixou, portanto, de se impor como a Lei irrevogável do amor, deixando o lugar à instância da palavra, uma palavra que, de cada vez mais, tende a invadir os vários domínios do saber (do poder), prescrutando incansavelmente o espaço, incómodo e perturbador, do segredo. Mas quando o amor incarna no acto da sua confissão (interior ou dialogada), depara-se inevitavelmente com a inefabilidade do desejo que o sustenta. Leva então a linguagem a explorar os seus próprios limites, engendrando uma tensão da qual irrompe, em todo o seu esplendor, a própria palavra poética. | In the middle of the xiith century, lyric, Breton lais, treaties about courtly love, and other texts identify secret with the number of the universal harmony and consider it the basic condition for love. Nevertheless, the courteous narrative (for instance by Marie de France or Chrétien de Troyes) suggests another and more nuanced reality : secret is no doubt important, but fiction now insists on the fact that when it springs at the wrong time or is kept with an obstinate silence, it becomes lethal, may engender inner desorder and rupture. Secret stops being the inexorable Rule of love and gives way to speech. Along with an ideological and cultural movement growing in the xiiith century, speech is going to invade all realms of knowledge (and power) in order to penetrate a secret now conceived as unbearable and disturbing. When love becomes synonym of confession and transparency, it can’t be retracted from the unutterance of desire : in this way, any declaration of love (to one’s self or to the other) is bound to use language to explore its own limits in the core of a singular tension which reveals the play of poetic language. |
Patrick Avrane
Diaboliques confessions
| Jules Barbey d’Aurevilly est l’auteur de romans et de nouvelles. Dans son œuvre littéraire, les histoires sont en général racontées. Toutes les nouvelles des Diaboliques, le plus célèbre de ses livres, comportent un narrateur-confesseur qui transmet le récit d’un secret de femme à un auditeur. Ce procédé préfigure celui de Freud, et le mystère est toujours celui de la sexualité féminine. | Jules Barbey d’Aurevilly é autor de romances e de novelas. Na sua obra literária, as histórias, em geral, são contadas. Em todas as novelas das Diaboliques, o seu livro mais célebre, encontra-se um narrador-confessor que transmite a narrativa de um segredo de mulher a um ouvinte. Tal processo prefigura o de Freud, e o mistério é sempre o da sexualidade feminina. | Jules Barbey d’Aurevilly is the author of novels and short stories. In his literary work, fiction adopts the narrative mode. All his short stories entitled The Diaboliques, his most famous piece of work, include a narrator-confessor who transmits the tale of a woman’s secret to a listener. The procedure foreshadows that of Freud, and the mystere remains that of female sexuality. |
Jacqueline Baldran
Jean-Jacques Rousseau,
Louise d’Épinay :
Confessions et Contre-Confessions
| En décembre 1756, Rousseau quittait l’Ermitage, où, dix-huit mois plus tôt, Mme d’Épinay lui avait offert l’hospitalité. Il partait brouillé avec son hôtesse et Melchior Grimm. Peu après, il rompait avec Diderot, son alter-ego, et avec les autres Encyclopédistes qu’il appellera désormais « la coterie holbachique ». Dans la seconde partie des Confessions, Rousseau accuse ses anciens amis de l’avoir calomnié et trahi. Des événements qui se sont déroulés à l’Ermitage, Louise d’Épinay donne une autre version dans un roman épistolaire à clés rédigé entre 1756 et 1762. Les mensonges les plus avérés de Louise relèvent d’une stratégie de défense et ces pages controversées ne remettent pas en cause l’intérêt d’une démarche autobiographique qui autorise une comparaison avec les Confessions. Deux autobiographies qui, parfois, se recoupent, mais surtout, deux parcours qui, à terme, s’opposent. Alors que dans les Confessions Rousseau demeure l’unique objet de sa réflexion, Louise, grâce à l’écriture, parvient à dépasser les blessures de l’enfance et ose peu à peu devenir elle-même. | Em Dezembro de 1756, Rousseau deixava o Ermitage onde, dezoito meses antes, fora hospedado por Mme d'Épinay. Saía em ruptura com ela e com Melchior Grimm. Pouco tempo depois, cortava também relações com Diderot, o seu alter ego, e com os restantes Enciclopedistas que passa a designar de « coterie holbachique ». Na segunda parte das Confessions, Rousseau acusa os seus antigos amigos de o terem caluniado e traído. Sobre o que aconteceu no Ermitage, Mme d'Épinay oferece todavia uma versão diferente num romance epistolar à clés redigido entre 1756 e 1762. As mentiras mais evidentes de Louise traduzem uma estratégia defensiva, pelo que estas controversas páginas não põem em causa, de forma alguma, a validade de uma leitura autobiográfica através da sua comparação com as Confessions. Estamos perante duas autobiografias que, por vezes, se cruzam, mas essencialmente, perante dois percursos que, a dado momento, acabam por se opor. Enquanto que, nas Confessions, Rousseau permanece como objecto única da sua reflexão, Louise, pela escrita, consegue ultrapassar as feridas da infância, tentando, pouco a pouco, assumir a sua identidade própria. | In december 1756, Rousseau left the Ermitage where Mme d’Épinay had lodged him for eighteen months. He was crossed with her and Melchior Grimm. Later on, he broke up with Diderot, his alter-ego, as well as with the other Encyclopedists whom he charged with betrayal and calumnies in the second part of the Confessions. Louise d’Épinay gives another version of the events that happen at her place in an epistolary roman a clef written between 1756 and 1762. Her obvious lies reveal a strategy of defense but these controversial pages do not prevent a comparison with Rousseau’s Confessions. Those two biographies sometimes overlap but ultimatly they diverge : Rousseau remains the sole subject of his reflexion although Louise achieves to heal her childhood wounds through writing and progressively dares be herself. |
Evelyne Sinigaglia
L’Amer paradis des amours
enfantines :
Le Secret, de l’Anonyme triestin
| Dû à un auteur anonyme de Trieste, probablement Giorgio Voghera, Le Secret est le roman autobiographique de l’amour obsessionnel et jamais déclaré d’un adolescent torturé pour une de ses camarades de classe. Son originalité réside dans son style très influencé par la psychanalyse et son implacable sincérité dans sa description du renoncement du narrateur à l’amour et à la vie. | Atribuído a um autor anónimo de Trieste, provavelmente Giorgio Voghera, Le Secret é um romance autobiográfico sobre o amor obsessivo e nunca declarado de um adolescente torturado por um dos seus colegas de turma. A sua originalidade reside no seu estilo muito influenciado pela psicanálise e na sua implacável sinceridade na descrição da renúncia do narrador ao amor e à vida. | Il Segreto, written by an anonymous Triestine author, presumably Giorgio Voghera, is the autobiographical novel of the obsessive, unspoken love of a neurotic adolescent for one of his schoolmates. Its originality lays in its psychoanalytical-oriented style as it plainly depicts the narrator’s renunciation to love and life. |
Marie-Anne Vannier
La triple confession
d’Augustin
| Classique de la littérature, les Confessions d’Augustin sont un livre qui n’a pas fini de nous livrer son secret. L’auteur y retrace la Pâque qu’il a connue dans sa vie, à partir d’une triple confession : non seulement celle de ses fautes passées, mais aussi la confession de foi, sans oublier la louange qui traverse l’ouvrage. Au cours de cette confession, le sujet Augustin se constitue progressivement, en dialogue avec son créateur et au miroir de l’Écriture. | Enquanto clássico da literatura, as Confissões de Agostinho representam uma obra que ainda não acabou de desvendar o seu segredo. Nela, o autor retrata a Páscoa da sua vida a partir de uma tripla confissão: a das suas faltas passadas, mas também a confissão de fé, sem esquecer a dimensão do louvor que percorre a obra. Durante esta confissão, o sujeito Agostinho vai-se construindo em diálogo com o seu criador e com o espelho das Escrituras. | Literary classics, Augustine’s Confessions are a book which has not yield all its secret. The author tells the Passover he experienced in his life, from the threefold confession : not only the confession of his past errors, but also the faith’s confession, without forgetting the praise which goes through the whole book. During this confession, Augustine’s person realizes gradually, conversing with his creator and in speculum of Scripture. |
Sébastien Tank-Storper
Dire la conversion. Carnet
d’enquête
| Idéalement, on naît juif, on ne le devient pas. Idéalement, car le processus de conversion au judaïsme existe et a été minutieusement codifié. Mais, par un ensemble de dispositions, le judaïsme va travailler à masquer la conversion, à l’ensevelir sous le non-dit, privant le converti d’un espace pour dire son expérience. Comment dès lors attester du passage de non-juif à juif ? La demande de récit que lui adresse l’anthropologue travaillant sur la conversion lui permet de mettre cette identité en paroles. | Em termos ideais, não nos tornamos judeus, nascemos judeus. Em termos ideais, porque o processo de conversão ao judaismo existe e foi minuciosamente codificado. No entanto, através de um conjunto de disposições, o judaismo vai esforçar-se por disfarçar a conversão, sepultando-a sob o não-dito, privando o converso de um espaço para dizer a sua experiência. Como verificar então a passagem de não-judeu a judeu ? A exigência do contar perante a qual o coloca o antropólogo que trabalha sobre a confissão, permite-lhe justamente traduzir esta identidade por palavras. |
Ideally speaking, one is born a Jew, one doesn’t become a Jew. Nevertheless, being converted may be experienced and it has been thoroughly codified. By means of a whole set of rules, judaïsm attempts to veil conversion, to bury it under silence, depriving the converted of a space where s/he could tell his/her experience. How then can one testify of this transformation of a non-Jew into a Jew ? When asked by the anthropologist to relate his/her story, the opportunity is given to speak out this identity.
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